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SAÚDE
Terça - 28 de Abril de 2026 às 15:48
Por: Redação TA c/ FESSP-MT/ALMT

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A crise no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) em Mato Grosso ganhou novos capítulos nesta semana, após reunião realizada na sede da FESSP-MT, na segunda-feira (27), e debate na Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta terça-feira (28). Sindicatos, servidores e lideranças classificam o cenário como de “enfraquecimento estrutural” do serviço, enquanto autoridades discutem medidas para evitar prejuízos à população.

Durante o encontro promovido pela Federação Sindical dos Servidores Públicos (FESSP-MT), com a presença de representantes do Ministério da Saúde, parlamentares e trabalhadores do setor, o tom foi de preocupação e cobrança. Segundo as entidades, as falhas identificadas no sistema não são pontuais, mas refletem problemas estruturais que vêm se agravando ao longo do tempo.

De acordo com representantes sindicais e servidores do SAMU, há um processo de fragilização do serviço, evidenciado por déficit de profissionais, dificuldades operacionais e mudanças que, na avaliação da categoria, podem comprometer a qualidade do atendimento. A reunião também serviu para reforçar denúncias já apresentadas ao Ministério da Saúde, especialmente após a vistoria técnica realizada recentemente na central do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOPS).

Um dos pontos mais sensíveis levantados foi o risco de perda de recursos federais. Segundo o relatório preliminar discutido no encontro, caso o estado não se adeque às normativas nacionais, Mato Grosso pode sofrer sanções, incluindo suspensão de repasses e até devolução de valores já recebidos para manutenção do serviço.

No dia seguinte, o tema foi levado à Comissão de Saúde da ALMT, onde o debate ganhou dimensão política e institucional. A discussão ocorreu em meio à demissão de 56 profissionais do SAMU na Baixada Cuiabana e à possibilidade de desativação de unidades, o que ampliou a preocupação de servidores e sindicatos.

Durante a audiência, o diretor do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, afirmou que a cobertura do SAMU em Mato Grosso é de cerca de 58%, bem abaixo da média nacional de 90%. Ele também anunciou o envio de aproximadamente 52 novas ambulâncias para o estado, dentro de um plano nacional que prevê a distribuição de até 4 mil unidades.

Apesar do anúncio, sindicatos e servidores avaliam que apenas a ampliação da frota não resolve os problemas estruturais. A categoria destaca que já existem ambulâncias paradas por falta de equipes, o que reforça a necessidade de investimento em recursos humanos e gestão.

Outro ponto central do debate foi a gestão do serviço. Figueira destacou que o SAMU deve permanecer sob responsabilidade da área da saúde, com atuação baseada em protocolos próprios, e não subordinado a outras estruturas. A fala reforça críticas já feitas por sindicatos e por parlamentares sobre a condução do modelo atual no estado.

Na Assembleia, o deputado estadual Lúdio Cabral também apontou falhas estruturais identificadas em auditoria recente do Ministério da Saúde, como a ausência de espaço exclusivo para regulação médica, falta de coordenação presencial e riscos à confidencialidade de informações de pacientes. Ele afirmou ainda que há indícios de que o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso estaria assumindo atribuições que seriam próprias do SAMU, o que, segundo ele, descaracteriza o modelo previsto pelo SUS.

Para os sindicatos, essa possível sobreposição de funções é um dos fatores que contribuem para o enfraquecimento do serviço. As entidades reforçam que não se trata de desvalorização dos Bombeiros, mas da necessidade de respeitar as atribuições específicas de cada instituição para garantir eficiência no atendimento.

A demissão de 56 profissionais também foi alvo de críticas contundentes. Servidores afirmam que a medida já impacta diretamente o funcionamento das ambulâncias e pode agravar ainda mais o cenário, reduzindo a capacidade de resposta em situações de urgência.

Por outro lado, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, afirmou que houve uma interpretação equivocada sobre um possível encerramento do SAMU e destacou que o governo estadual não tem intenção de desativar o serviço. Já o governador Otaviano Pivetta afirmou que o Estado está disposto a garantir o funcionamento do SAMU e que pretende dialogar com os profissionais para avaliar soluções, incluindo a revisão de contratos.

Mesmo com as sinalizações do governo, sindicatos e servidores mantêm o tom crítico e cobram medidas imediatas. Para eles, o momento exige mais do que promessas ou anúncios: é necessário reestruturar o sistema, recompor equipes e garantir que o SAMU funcione dentro das diretrizes do SUS.

A avaliação das entidades é de que o debate ultrapassa questões administrativas e envolve diretamente a segurança da população. Em um serviço onde o tempo de resposta é decisivo, as falhas apontadas, somadas às recentes demissões e às incertezas sobre o modelo de gestão, ampliam o temor de que o atendimento de urgência em Mato Grosso esteja cada vez mais vulnerável.





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